Ano 5787: Portal da Abundância e do Sustento

David Zumerkorn

16/09/2026 - 12:52

Ano 5787 - Ouro

Ano 5787

Ano 5´787: Portal da Abundância e do Sustento

O calendário judaico possui uma fascinante estrutura de ciclos, números e significados. Cada ano pode ser observado não apenas como uma sequência de dias, mas também como uma oportunidade de refletir sobre a relação entre o Criador, o mundo físico e a espiritualidade.

Nesse sentido, o ano de 5´787 reúne características especialmente interessantes. Sua duração, os números que compõem o ano e a presença marcante do número 7 (Sete) formam uma bela sequência de alusões à Parnassá, ao sustento, à riqueza e à abundância, tanto material quanto espiritual.

  1. 385 dias: o ano mais longo do calendário judaico

O primeiro aspecto de 5´787 está em sua própria duração.

O calendário judaico admite seis durações possíveis:

  • Anos comuns: 353, 354 ou 355 dias.
  • Anos embolísmicos, com um mês adicional (Adar): 383, 384 ou 385 dias.

O ano de 5´787 terá 385 dias. Portanto, será um ano embolísmico completo, a configuração mais longa possível do calendário judaico.

Simbolicamente, podemos enxergar essa extensão como uma ampliação da própria “casa do tempo”: mais dias, mais semanas e mais espaço para preenchermos o ano com Torá, mitzvot (preceitos judaicos), crescimento espiritual e bênçãos materiais.

É como se tivéssemos diante de nós um recipiente maior, pronto para ser preenchido.

  1. O número 57: Zan (זן), sustento e provisão

Também encontramos uma interessante alusão ao sustento nos primeiros números de 5´787.

O número 57 pode ser representado pelas letras (ז) Zayin e (נ) Nun:

Zayin (ז) = 7
Nun (נ) = 50
7 + 50 = 57

Juntas, essas letras formam זן (Zan), palavra relacionada ao ato de alimentar, sustentar e prover.

Essa mesma ideia aparece diariamente na Bircat Hamazon (Graças após a refeição – sustento), quando descrevemos Hashem (D-us) como:

הַזָּן אֶת הָעוֹלָם כֻּלּוֹ  HaZan et haOlam kuló
Aquele que sustenta o mundo inteiro.

Assim, o próprio 57 pode ser compreendido como um belo remez, uma alusão à ideia de que todo sustento e toda provisão têm sua verdadeira fonte em Hashem.

Zan – Sustento

  1. O número 87: Paz (פז), o ouro puro

Se o 57 nos remete ao sustento, os dois últimos números de 5´787 acrescentam uma segunda imagem ainda mais expressiva.

O número 87 corresponde à guimátria (valor numérico) da palavra hebraica פז (Paz):

Pei (פ) = 80
Zayin (ז) = 7
80 + 7 = 87

A palavra פז (Paz) significa ouro fino, ouro puro ou ouro refinado. No Tanach, é utilizada para expressar algo precioso e de elevado valor., assim como encontramos em Tehilim (Salmos) 119:127: “Por isso amo os teus mandamentos mais do que o ouro, e mais do que o ouro refinado – עַל־כֵּ֭ן אָהַ֣בְתִּי מִצְוֺתֶ֑יךָ מִזָּהָ֥ב וּמִפָּֽז

Temos, portanto, dentro do próprio 5´787, uma interessante sequência simbólica:

57 = זן (Zan) = sustento

87 = פז (Paz) = ouro puro

Primeiro, a provisão. Depois, o ouro.

Essa combinação permite enxergar no número do novo ano um belo remez (indício – alusão) para Parnassá beRevach, um sustento amplo, acompanhado de prosperidade e abundância.

O significado de Paz, contudo, pode ir além da riqueza material. O ouro puro é aquele que passou por um processo de refinamento. Da mesma forma, a verdadeira abundância encontra seu propósito quando os recursos materiais são elevados e utilizados para aquilo que é sagrado: tsedaká (caridade), mitzvot (preceitos bíblicos), estudo de Torá, educação dos filhos e boas ações.

Nesse sentido, o 87 de 5´787 pode ser visto como uma alusão a um ano de riqueza e abundância, material e espiritual.

  1. O significado do número 7

Há ainda outro elemento que atravessa todas essas alusões: o número 7.

O ano 5´787 termina justamente em 7, um dos números mais significativos da tradição judaica.

Segundo a estrutura apresentada pelo Maharal de Praga, podemos compreender o mundo físico por meio de seis direções:

  • Para cima e para baixo.
  • Para a frente e para trás.
  • Para a direita e para a esquerda.

O 6, portanto, representa a extensão do mundo físico.

Mas falta algo: o centro, o que se encontra entre eles.

O 7 (Sete) representa justamente esse ponto central e interior, que reúne, organiza e dá unidade às seis direções.

Por isso, o sete não representa simplesmente mais um elemento. Ele simboliza a dimensão espiritual que dá sentido e propósito ao mundo material.

Essa ideia pode ser percebida claramente no Shabat (Sábado).

Durante seis dias, o ser humano trabalha, produz, constrói e transforma o mundo físico. Então chega o sétimo dia.

O Shabat não é simplesmente o dia que vem depois dos outros seis. Ele revela o propósito dos seis dias anteriores. É a dimensão espiritual que dá sentido ao trabalho e à própria criação.

  1. De Sheva a Sova: do sete à abundância

Aqui encontramos outra conexão especialmente bonita.

Em hebraico, sete é:

שבע (Sheva)

E saciedade, fartura ou abundância é:

שבע (Sova)

As duas palavras são formadas exatamente pelas mesmas três letras:

ש • ב • ע (Shin, Beit e Ayin)

Surge, assim, uma profunda associação entre o sete e a ideia de plenitude.

Não se trata simplesmente de possuir mais, mas de alcançar um estado em que aquilo que recebemos é suficiente, completo e utilizado com propósito.

Essa ideia aparece repetidamente na estrutura do judaísmo:

O sete marca o momento em que um ciclo encontra sua plenitude.

  1. Um ano que começa no Shabat

Há ainda uma característica especialmente significativa em 5´787.

O primeiro dia de Rosh Hashaná, 1º de Tishrei de 5´787, ocorre no Shabat.

Assim, o novo ano já nasce sob o signo do sete.

Essa coincidência se repete em momentos importantes do calendário. O primeiro dia de Sucot também ocorre no Shabat, assim como Shemini Atzeret, em Israel.

Temos, portanto, um ano cuja própria estrutura coloca lado a lado dois conceitos centrais: Shabat e Chag, a santidade semanal e a santidade das festividades.

Isso reforça simbolicamente a mensagem que percorre todo o ano: o mundo material não precisa estar separado do espiritual.

Ao contrário, o propósito é fazer com que a espiritualidade penetre a vida cotidiana, inclusive nosso trabalho, nossos negócios e nossa busca pelo sustento.

  1. 5´787: um ano de Parnassá, riqueza e plenitude

Quando reunimos todos esses elementos, surge uma bela mensagem para 5´787:

  • 385 dias, a maior extensão possível de um ano judaico, representando simbolicamente um recipiente ampliado.
  • 57 = זן (Zan), sustento e provisão.
  • 87 = פז (Paz), ouro puro, uma alusão à riqueza e à prosperidade.
  • 7, o ponto espiritual que dá unidade e sentido ao mundo físico.
  • Sheva e Sova, sete e abundância, expressos pelas mesmas letras.
  • Um ano que começa justamente no Shabat, o 7° (sétimo) dia.

Não precisamos enxergar essas conexões como uma previsão sobre o futuro. Podemos entendê-las como um remez, uma inspiração e uma mensagem para a forma como desejamos entrar no novo ano.

Que 5´787 seja um ano em que o material e o espiritual caminhem juntos.

Que o Zan (זן) se transforme em sustento abundante; que o Paz (פז) represente não apenas riqueza, mas uma riqueza pura, elevada e utilizada para o bem; e que o sete nos lembre constantemente que toda prosperidade material encontra sua verdadeira plenitude quando está conectada a um propósito espiritual.

Que Hashem (D-us) nos conceda Parnassá beRevach, sustento com abundância e tranquilidade, saúde, paz e prosperidade, permitindo que cada bênção recebida se transforme em fonte de novas bênçãos.

Que o ano mais longo possível do calendário judaico seja também um ano repleto de abundância material e espiritual. Amén VeAmén.

Shaná Tová Umetuká!

Ketivá VaChatimá Tová!

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