
Ano 5787
Ano 5´787: Portal da Abundância e do Sustento
O calendário judaico possui uma fascinante estrutura de ciclos, números e significados. Cada ano pode ser observado não apenas como uma sequência de dias, mas também como uma oportunidade de refletir sobre a relação entre o Criador, o mundo físico e a espiritualidade.
Nesse sentido, o ano de 5´787 reúne características especialmente interessantes. Sua duração, os números que compõem o ano e a presença marcante do número 7 (Sete) formam uma bela sequência de alusões à Parnassá, ao sustento, à riqueza e à abundância, tanto material quanto espiritual.
- 385 dias: o ano mais longo do calendário judaico
O primeiro aspecto de 5´787 está em sua própria duração.
O calendário judaico admite seis durações possíveis:
- Anos comuns: 353, 354 ou 355 dias.
- Anos embolísmicos, com um mês adicional (Adar): 383, 384 ou 385 dias.
O ano de 5´787 terá 385 dias. Portanto, será um ano embolísmico completo, a configuração mais longa possível do calendário judaico.
Simbolicamente, podemos enxergar essa extensão como uma ampliação da própria “casa do tempo”: mais dias, mais semanas e mais espaço para preenchermos o ano com Torá, mitzvot (preceitos judaicos), crescimento espiritual e bênçãos materiais.
É como se tivéssemos diante de nós um recipiente maior, pronto para ser preenchido.
- O número 57: Zan (זן), sustento e provisão
Também encontramos uma interessante alusão ao sustento nos primeiros números de 5´787.
O número 57 pode ser representado pelas letras (ז) Zayin e (נ) Nun:
Zayin (ז) = 7
Nun (נ) = 50
7 + 50 = 57
Juntas, essas letras formam זן (Zan), palavra relacionada ao ato de alimentar, sustentar e prover.
Essa mesma ideia aparece diariamente na Bircat Hamazon (Graças após a refeição – sustento), quando descrevemos Hashem (D-us) como:
הַזָּן אֶת הָעוֹלָם כֻּלּוֹ HaZan et haOlam kuló
Aquele que sustenta o mundo inteiro.
Assim, o próprio 57 pode ser compreendido como um belo remez, uma alusão à ideia de que todo sustento e toda provisão têm sua verdadeira fonte em Hashem.

Zan – Sustento
- O número 87: Paz (פז), o ouro puro
Se o 57 nos remete ao sustento, os dois últimos números de 5´787 acrescentam uma segunda imagem ainda mais expressiva.
O número 87 corresponde à guimátria (valor numérico) da palavra hebraica פז (Paz):
Pei (פ) = 80
Zayin (ז) = 7
80 + 7 = 87
A palavra פז (Paz) significa ouro fino, ouro puro ou ouro refinado. No Tanach, é utilizada para expressar algo precioso e de elevado valor., assim como encontramos em Tehilim (Salmos) 119:127: “Por isso amo os teus mandamentos mais do que o ouro, e mais do que o ouro refinado – עַל־כֵּ֭ן אָהַ֣בְתִּי מִצְוֺתֶ֑יךָ מִזָּהָ֥ב וּמִפָּֽז
Temos, portanto, dentro do próprio 5´787, uma interessante sequência simbólica:
57 = זן (Zan) = sustento
87 = פז (Paz) = ouro puro
Primeiro, a provisão. Depois, o ouro.
Essa combinação permite enxergar no número do novo ano um belo remez (indício – alusão) para Parnassá beRevach, um sustento amplo, acompanhado de prosperidade e abundância.
O significado de Paz, contudo, pode ir além da riqueza material. O ouro puro é aquele que passou por um processo de refinamento. Da mesma forma, a verdadeira abundância encontra seu propósito quando os recursos materiais são elevados e utilizados para aquilo que é sagrado: tsedaká (caridade), mitzvot (preceitos bíblicos), estudo de Torá, educação dos filhos e boas ações.
Nesse sentido, o 87 de 5´787 pode ser visto como uma alusão a um ano de riqueza e abundância, material e espiritual.
- O significado do número 7
Há ainda outro elemento que atravessa todas essas alusões: o número 7.
O ano 5´787 termina justamente em 7, um dos números mais significativos da tradição judaica.
Segundo a estrutura apresentada pelo Maharal de Praga, podemos compreender o mundo físico por meio de seis direções:
- Para cima e para baixo.
- Para a frente e para trás.
- Para a direita e para a esquerda.
O 6, portanto, representa a extensão do mundo físico.
Mas falta algo: o centro, o que se encontra entre eles.
O 7 (Sete) representa justamente esse ponto central e interior, que reúne, organiza e dá unidade às seis direções.
Por isso, o sete não representa simplesmente mais um elemento. Ele simboliza a dimensão espiritual que dá sentido e propósito ao mundo material.
Essa ideia pode ser percebida claramente no Shabat (Sábado).
Durante seis dias, o ser humano trabalha, produz, constrói e transforma o mundo físico. Então chega o sétimo dia.
O Shabat não é simplesmente o dia que vem depois dos outros seis. Ele revela o propósito dos seis dias anteriores. É a dimensão espiritual que dá sentido ao trabalho e à própria criação.
- De Sheva a Sova: do sete à abundância
Aqui encontramos outra conexão especialmente bonita.
Em hebraico, sete é:
שבע (Sheva)
E saciedade, fartura ou abundância é:
שבע (Sova)
As duas palavras são formadas exatamente pelas mesmas três letras:
ש • ב • ע (Shin, Beit e Ayin)
Surge, assim, uma profunda associação entre o sete e a ideia de plenitude.
Não se trata simplesmente de possuir mais, mas de alcançar um estado em que aquilo que recebemos é suficiente, completo e utilizado com propósito.
Essa ideia aparece repetidamente na estrutura do judaísmo:
- 7 dias, culminando no Shabat.
- 7 semanas da contagem do Ômer.
- 7 anos, culminando na Shemitá.
- 7 ciclos de 7 anos, conduzindo ao Yovel.
O sete marca o momento em que um ciclo encontra sua plenitude.
- Um ano que começa no Shabat
Há ainda uma característica especialmente significativa em 5´787.
O primeiro dia de Rosh Hashaná, 1º de Tishrei de 5´787, ocorre no Shabat.
Assim, o novo ano já nasce sob o signo do sete.
Essa coincidência se repete em momentos importantes do calendário. O primeiro dia de Sucot também ocorre no Shabat, assim como Shemini Atzeret, em Israel.
Temos, portanto, um ano cuja própria estrutura coloca lado a lado dois conceitos centrais: Shabat e Chag, a santidade semanal e a santidade das festividades.
Isso reforça simbolicamente a mensagem que percorre todo o ano: o mundo material não precisa estar separado do espiritual.
Ao contrário, o propósito é fazer com que a espiritualidade penetre a vida cotidiana, inclusive nosso trabalho, nossos negócios e nossa busca pelo sustento.
- 5´787: um ano de Parnassá, riqueza e plenitude
Quando reunimos todos esses elementos, surge uma bela mensagem para 5´787:
- 385 dias, a maior extensão possível de um ano judaico, representando simbolicamente um recipiente ampliado.
- 57 = זן (Zan), sustento e provisão.
- 87 = פז (Paz), ouro puro, uma alusão à riqueza e à prosperidade.
- 7, o ponto espiritual que dá unidade e sentido ao mundo físico.
- Sheva e Sova, sete e abundância, expressos pelas mesmas letras.
- Um ano que começa justamente no Shabat, o 7° (sétimo) dia.
Não precisamos enxergar essas conexões como uma previsão sobre o futuro. Podemos entendê-las como um remez, uma inspiração e uma mensagem para a forma como desejamos entrar no novo ano.
Que 5´787 seja um ano em que o material e o espiritual caminhem juntos.
Que o Zan (זן) se transforme em sustento abundante; que o Paz (פז) represente não apenas riqueza, mas uma riqueza pura, elevada e utilizada para o bem; e que o sete nos lembre constantemente que toda prosperidade material encontra sua verdadeira plenitude quando está conectada a um propósito espiritual.
Que Hashem (D-us) nos conceda Parnassá beRevach, sustento com abundância e tranquilidade, saúde, paz e prosperidade, permitindo que cada bênção recebida se transforme em fonte de novas bênçãos.
Que o ano mais longo possível do calendário judaico seja também um ano repleto de abundância material e espiritual. Amén VeAmén.
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